Ni malus, et auri famis insatiabilis esses
Functorum nunquam voluisses mungere peras
Talis eris, qui calce teris mea busta pedester
Qualiter hic jaceo putrida, talis eris
Sis Caesar, Macedo, moderator totius Orbis
Aut Cato, vel Cicero, denique talis eris
Disce mori, quisquis referas haec scripta viator,
Aequa manent omnes funera, disce mori
Disce mori dives, discat cum paupere Rex, Grex
Doctus & indoctus, junior atque senex
(De Pharmaco Catholico PRAELVDIVM PROSIMETRICVM p.p 129 a fonte ab origine)
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
SOBRE CONHECIMENTO PROFANO VERSUS CONHECIMENTO INICIÁTICO
O problema do possível e do real parece muito simples e óbvio a mim,
mas, é claro, sob a estrita condição de que devemos examiná-lo do ponto
de vista denominado “metafísico” (n. do t. pode-se definir como
sattvico, gnóstico, iniciático ou tradicional); é óbvio que, do ponto de
vista filosófico, pode-se sempre pensar qualquer coisa de qualquer
maneira e discorrer sobre qualquer problema repetidamente sem nunca
alcançar uma conclusão; é mesmo aquilo que caracteriza a especulação
profana, e eu nunca fui capaz de entreter qualquer interesse por esses
ditos “problemas” que fundamentalmente têm apenas uma existência verbal.
- René Guénon
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Sob a luz mais favorável a que podemos concedê-la, a Filosofia assim consiste na “Sabedoria Humana”, ou uma de suas formas, mas em qualquer instância ela continua sendo só isso, e por isso podemos alegar com segurança que ela é uma coisa muito pobre, uma especulação de caráter pura e meramente racional fundada sobre faculdades meramente humanas. […] Aquilo que denotamos de “razão humana” é apenas a “sabedoria humana” dos Evangelhos; então podemos declarar que não passa de “sabedoria profana”, e que o que temos sob discussão aqui não é uma sabedoria autêntica mas apenas sua sombra – e uma sombra completamente ineficiente, que se encontra frequentemente “invertida”. Pois então, a maioria das filosofias não constitui sequer uma sombra dessa Sabedoria, sob qualquer perspectiva que ousemos imaginar essa sombra como sendo de qualquer forma.
Especialmente onde as filosofias modernas estão em mente e voga, das quais mesmo os vestígios mais parcos do conhecimento tradicional autêntico se esvaneceram, tratam-se aqui apenas de um construto sem fundamentos basais discerníveis, coleções de hipóteses mais ou menos fantásticas – e finalmente, meras opiniões individuais sem qualquer importância efetiva ou qualquer semblante de autoridade doutrinal. - René Guénon
Sob a luz mais favorável a que podemos concedê-la, a Filosofia assim consiste na “Sabedoria Humana”, ou uma de suas formas, mas em qualquer instância ela continua sendo só isso, e por isso podemos alegar com segurança que ela é uma coisa muito pobre, uma especulação de caráter pura e meramente racional fundada sobre faculdades meramente humanas. […] Aquilo que denotamos de “razão humana” é apenas a “sabedoria humana” dos Evangelhos; então podemos declarar que não passa de “sabedoria profana”, e que o que temos sob discussão aqui não é uma sabedoria autêntica mas apenas sua sombra – e uma sombra completamente ineficiente, que se encontra frequentemente “invertida”. Pois então, a maioria das filosofias não constitui sequer uma sombra dessa Sabedoria, sob qualquer perspectiva que ousemos imaginar essa sombra como sendo de qualquer forma.
Especialmente onde as filosofias modernas estão em mente e voga, das quais mesmo os vestígios mais parcos do conhecimento tradicional autêntico se esvaneceram, tratam-se aqui apenas de um construto sem fundamentos basais discerníveis, coleções de hipóteses mais ou menos fantásticas – e finalmente, meras opiniões individuais sem qualquer importância efetiva ou qualquer semblante de autoridade doutrinal. - René Guénon
sábado, 21 de julho de 2018
RECRIANDO A MATHESIS SUPREMA
OU A FUNÇÃO DO
ESOTERISMO E SUAS RAMIFICAÇÕES E SUA RELAÇÃO E DISTINÇÃO COM O
CIENTIFICISMO MODERNO
I. O ESOTERISMO E
SUA FUNÇÃO NA RENASCENÇA, E TAMBÉM SEU RELACIONAMENTO COM O
PROTO-CIENTIFICISMO
Não podemos
negligenciar o fato que a origem do cientificismo moderno, em suas
dimensões prometeicas, na busca do controle e da quantificação
absoluta do mundo natural, é um fenômeno que por si só deriva de
raízes ocultas profundas. Peço aos leitores que conheçam melhor a
historia da maçonaria contemporânea, da Royal Society, dentre
outros órgãos proto-iluministas cuja função no desenvolvimento
deste mesmo cientificismo foi chave fundamental.
Dentro desta
análise, devemos nos recordar que a tentativa newtoniana e
cartesiana de reduzir o cosmo a uma mathesis quantitativa única e
suprema não consiste em um esforço inteiramente vão, ou num ideal
cego, sem a devida ancestralidade intelectual de peso mesmo em suas
dimensões mais reducionistas. Para isso me refiro estritamente a
duas figuras centrais: Platão e Pitágoras, cuja influência no
ideal da Revolução Científica é tanto central quanto inequívoca.
Pitágoras, de fato,
constitui influência central sobre Descartes. E esta influência
permeia todo o meio cientificista primordial, que desde a Renascença
busca uma redescoberta do esquecido legado helênico da Antiguidade,
e uma rebelião epistemológica que busca quebrar com os paradigmas
cosmológicos da Igreja Católica, que então há muito já se
encontravam ossificados num aristotelismo engessado e limitado.
Este movimento, no
qual podemos identificar próceres como Gemistos Plethon, Marcilio
Ficino e Pico della Mirandolla, vai se alimentar das fontes frescas e
límpidas de um hermeticismo e uma filosofia pagã já há muito
esquecidos dentro do Ocidente sob o julgo latino.
Esta visão, que
inclui a restauração do pitagorismo e do hermetismo, busca então
revigorar as fronteiras epistemológicas de um Ocidente até então
engessado nas aporias de um escolasticismo abstrato e mormemente
estéril, preso nos paradigmas de uma ontoteologia limitada por
problemas puramente linguísticos e de perspectiva individual e
subjetiva.
Assim sendo, a visão
do cosmo como mathesis, como matemática suprema, uma noção
pitagórica e platônica tanto na sua origem quanto em seu cerne,
ressurge no Ocidente depois de séculos desaparecida.
II. A FILOSOFIA
PITAGÓRICA E SUA RELAÇÃO COM O ESOTERISMO RENASCENTISTA
Pitágoras, cuja
vida é cheia de mistérios e já intrigava os antigos, era um dos
mistagogos mais famosos e debatidos na Antiguidade. Tanto é que
mesmo entre as escassas fontes que sobreviveram ao fim desta
Antiguidade Clássica, vemos três biografias, sendo a mais reputada
aquela de autoria de Diogénes Laércio.
Longe, é claro, de
nos reter somente na biografia do dito cujo, vejamos as contribuições
e natureza dos ensinamentos de sua escola.
a) Rejeição do
Empiricismo.
b) Divisão do Mundo
nas Categorias de Mundo Sensível e Inteligível.
c) A Irracionalidade
do Mundo Sensível.
d) O Mundo
Inteligível Como Função de Uma Aritmética Suprema.
e) O Mundo Sensível
como sendo um derivado, hierarquicamente sujeito ao Mundo
Inteligível.
f) Nós Conhecemos
as Formas Substanciais dos Objetos Sensíveis por Meio de Relações
Matemáticas no Mundo Inteligível.
g) A Relação do
Mundo Inteligível e sua Harmonia Matemática com a Harmonia Musical.
Assim então,
podemos verificar que a temática comum tanto no Cientificismo quanto
no Hermetismo de viés Pitagórica e Platônica pode ser
exemplificada de forma magistral por Filolau, que nos diz:
“TODAS AS COISAS
CONHECIDAS TÊM UM NÚMERO, E ISTO PORQUE SEM ELE (O NÚMERO), NÃO
SERIA POSSÍVEL QUE NADA FOSSE CONHECIDO NEM COMPREENDIDO”
A ressurreição do
platonismo e do pitagorismo na Renascença, vai de encontro e
oposição direta ao aristotelismo tomista dominante e sua temática
inocentemente desprovida de caráter matemático e fenomenológico e
centrada tão somente num empiricismo limitado (devemos a São Tomás
a citação latina mais famosa do axioma empiricista da escola
peripatética, de Aristóteles):
NIHIL EST IN
INTELLECTU QUOD NON SIT PRIUS IN SENSU (retirado de De Veritate)
ou "Não há nada no Intelecto que não esteja primeiro nos sentidos"
ou "Não há nada no Intelecto que não esteja primeiro nos sentidos"
Esta asserção, da
qual discordamos pois somos contra o empiricismo em todas as suas
versões, incluindo é claro o empiricismo simplista que veio a
dominar o Ocidente depois de Hume, nos leva de encontro com o que
devidamente esposamos.
Verificamos, então,
que a linguagem fundamental de todo o esoterismo – aliás, de todo
o conhecimento humano, até suas ramificações mais banais na
ciência fisicalista, se encontra no número, no seu simbolismo, e na
sua linguagem fundamental, mesmo nas dimensões em que ele se
encontra claramente esquecido e negligenciado pela Ciência Moderna.
III. O CIENTIFICISMO
COMO FILHOTE BASTARDO DO HERMETICISMO DA RENASCENÇA - CONCLUSÃO
Assim sendo, das
sucessivas iterações desta ciência dos números e sua simbologia –
ao qual denominamos de aritmosofia ou LOGOS ARYTHMOS – nascem as
correntes que darão origem ao Cartesianismo com sua divisão rígida
da realidade entre o objetivo matematicamente mensurável, e o
subjetivo não mensurável, em detrimento de um conhecimento baseado
apenas nos sentidos humanos. Esta noção é importantíssima.
Na medida em que o
Cartesianismo nos liberou das especulações inocentes de uma ciência
natural centrada num escolasticismo estéril e puramente
especulativo, e nos abriu as portas de uma física clássica que em
muito nos acrescentou em termos do nosso conhecimento físico,
devemos reconhecer neste um paradigma positivo. As intuições
fundamentais de Descartes não estão de todo erradas. O maior
problema do Cientificismo, então, foi que à medida que seu caráter
prometeico se inflou, ele se divorciou cada vez mais das raízes de
sua origem hermética e simbólica, buscando apenas as relações
superficiais de um mundo puramente físico, dessacralizado e
mecanizado, e é exatamente por aí que vemos quando o divórcio da
ciência de suas raízes cosmológicas visando apenas sua compreensão
no nível substancial, e não essencial (podemos também dizer, o
nível da eidos ou das formas – sem é claro que isso constitua uma
adoção incondicional de certos preceitos aristotélicos), aí sim
nos encontramos naquilo que consiste, por excelência, no ponto de
partida para o desvio moderno e todas as suas consequências vitais
para a humanidade.
E assim também
podemos concluir, portanto, segundo aliás já o concluiu o brilhante
autor brasileiro Mário Ferreira dos Santos, junto de alguns outros
excêntricos de toda a estirpe e nota, que o nosso objetivo consiste
na ressurreição da Mathesis Suprema (Mathesis Megiste) dos
pitagóricos, que foi infelizmente consignada ao esquecimento pela
mathesis fisicalista, secundária e inferior dos modernos.
Somente esta
mathesis pode nos conceder a genuína compreensão da ciência do
Real, e não as especulações filosóficas sufocantes e chinfrins de
correntes tão díspares quanto o Tomismo ou o idealismo germânico,
pois estas mesmas se perdem na subjetividade de seus nexos teóricos
anti-matemáticos e de sua superestrutura linguística equivocada.
Assim, finalizamos
este artigo com a recomendação do excelente livro de autoria de
Mário Ferreira dos Santos: “Pitágoras e o Tema do Número”.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
RECOMENDAÇÃO
RECOMENDÁVEL: Website do estudioso e analista esotérico Jay Dyer, que também é cristão ortodoxo devoto e ciente da cosmologia palamita. https://jaysanalysis.com/
quarta-feira, 27 de junho de 2018
terça-feira, 26 de junho de 2018
O FIM DA ONTOTEOLOGIA E DA METAFÍSICA "OCIDENTAL", E A ADOÇÃO DO PONTO DE VISTA GNÓSTICO COMO REVOLUÇÃO PERSPECTIVA DEFINITIVA
O ponto principal
dessas postagens discutindo o caráter da episteme filosófica é de
servir de introdução principal ao nosso trabalho alquímico,
através do questionamento basal daquilo que os modernos, e mais
amplamente, a civilização ocidental – consideram como
“conhecimento”.
Em suma, trata-se de
uma transição necessária entre a mera episteme para a gnose, um
passo necessário para todo aquele que busca a jornada pelo caminho
da Gnose, do “Conhecimento”, em seu sentido mais primordial e
fundamental antes da perversão dessa jornada em mera episteme, em
mera ontoteologia.
Para isso, autores
como Heidegger, Nietzsche, Marion, Corbin e René Guénon ocupam uma
posição central, pois somente eles podem nos oferecer a perspectiva
ampla o suficiente para termos em mente não só os desafios da
presente época, mas como superá-la, e como adentrar no reino
daquilo que constitui em si o conhecimento autêntico.
O conhecimento
autêntico é o caráter de poucos. Pois embora a filosofia ocidental
esteja permeada de princípios gnósticos, principalmente em autores
do dito idealismo germânico como Hegel e Schelling, a gnose em si é
algo que ilude o pensamento moderno tanto em sua dimensão quanto em
sua autenticidade e até na sua própria necessidade.
Em outras palavras,
quando o homem passou a confundir a ontoteologia com conhecimento
supremo – algo que existe desde as origens do logocentrismo
ocidental, quando adotamos essa perspectiva heideggeriana e também
guenoniana em mente, sabemos que aqui
existe o ponto de divergência principal entre o conhecimento que era
marca das sociedades ditas “tradicionais”, centrado numa Tradição
com face exotérica e esotérica, e o “conhecimento” discursivo,
teórico e externo dos modernos, que se cimenta com o ponto de vista
analítico e se agrava com o racionalismo absoluto e o subjetivismo.
É importante termos
isso em mente. Pois antes de Hegel, que localiza o centro da episteme
no sujeito cognoscente, e antes de Descartes, que similarmente divide
o mundo num dualismo rígido entre sujeito cognoscente e objeto, o
racionalismo como episteme ainda não tinha a maturidade e o
prestígio suficientes para decolar como cosmovisão de uma
civilização inteira.
Embora em
Aristóteles, nos gregos e na Escolástica já se prefigure um
“racionalismo” meio primordial, tal racionalismo era muito bem
contido não só por aspectos dogmáticos, mas pela própria
percepção de seus limites ontológicos e epistêmicos dentro de uma
busca pelo conhecimento. A intuição, mesmo aquela intuição
direcionada à construção de juízos fundacionais ontoteológicos,
era considerada mais importante que a razão em diversos aspectos –
como exemplo claro disso, temos a intuitio intellectualis, a intuição postulada por alguns escolásticos de nota, como Duns Scot e seus seguidores.
Com o advento da
modernidade, a Razão passa a destruir esses limites hierárquicos a
que estava sujeita e passa a se arrogar como única juíza de todo o
conhecimento humano. Esse é um passo necessário quando todos os
pontos de vista, sejam eles religiosos ou intuitivos, são apagados
em nome dos juízos da razão subjetiva e individual.
O que a maioria dos
modernos não percebe, mas que já foi devidamente avaliado e
detectado por mestres do pensamento como Heidegger, Guénon, e seus
discípulos das mais variadas proveniências, é que o racionalismo
ocidental contém dentro de si os germes da própria destruição.
Essa destruição do chamado “logocentrismo” ocidental, a começar
pelo advento do pós-modernismo, é um daqueles processos quase
invisíveis, mas inevitáveis, do desenvolvimento da sociedade
contemporânea e da transformação da Modernidade em
Pós-Modernidade. Em outras palavras, e mais sucintamente, o
racionalismo já carrega dentro de si as sementes tanto do
modernismo, quanto da aniquilação pós-moderna do homem no niilismo
absoluto.
Sendo assim, devemos
ver que Nietzsche e Heidegger, além de profetas e estudiosos do
niilismo ocidental, foram também os profetas da mais radical
destruição e desconstrução do conhecimento ocidental moderno –
algo que frequentemente não é realizado pelo homem comum, mas que
já é levado a cabo há décadas e tem como sintomas mais claros as
próprias ramificações do pós-modernismo em si, onde até mesmo o
sentido claro de certas palavras básicas é questionado a esmo, esmiuçado e por
fim, negado.
Em outras palavras,
no pós-modernismo ocorre a consumação do racionalismo ocidental em
um niilismo absoluto, que simultaneamente significa sua completa
dissolução, conforme o prevera Heidegger.
A superação do
niilismo ocidental, como jornada tanto ampla quanto microcósmica,
pelo indivíduo pós-moderno que busca a superação do status
confuso que se encontra quando busca uma espiritualidade, é assim a
missão de todo o tradicionalista. E esta missão envolve a
capacidade não só de voltar a fazer julgamentos claros sobre certo
e errado, como discernir amplamente as tendências do niilismo e da
relativização ampla do conhecimento na história da civilização,
além da superação definitiva dos paradigmas civilizacionais da
modernidade na busca de uma perspectiva nova e mais clara do ser
humano e de si mesmo.
É uma jornada de
conhecimento, de “conhecer a si mesmo”.
Assim sendo, o
buscador alquímico não se contenta em deixar de lado o racionalismo
puramente subjetivo dos modernos, como também empreende em deixar de
lado o arcabouço ontoteológico da metafísica ocidental, que se
encontra no processo de consumação da sua própria falência em
nossos tempos. Em outras palavras, ele supera a si mesmo como
indivíduo logocêntrico, e abre-se a um modo de conhecimento e uma
cosmovisão completamente diferentes, mas bem mais sadias, práticas,
operacionais e bem menos abstratas, especulativas, irreais e
mormemente relativistas, limitadas, etc…
Em suma, o homem
tradicionalista busca primeiramente saciar a sede de conhecimento de
todo o ser humano nas fontes da Gnose autêntica, e não de uma
filosofia estéril e em vias de se finalizar. Isso o impede de cair
na estagnação moral e pessoal a que essas filosofias
inevitavelmente conduzem.
Fontes:
“Ontotheology?
Understanding Heidegger’s
Destruktion
of Metaphysics”
terça-feira, 19 de junho de 2018
A VISÃO ALQUIMICA PRIMORDIAL X A VISÃO MODERNA E CIENTIFICISTA DO COSMO
A
ilusão do evolucionismo é, em si, um fruto da dessacralização da
natureza que criou o mecanicismo e o dualismo cartesianismo em primeiro
lugar.
Analisando alguns dos arguments tomistas do prof. Edward Feser, principalmente com relação às noções mecanicistas de Paley e à dita teoria da "complexidade especificada" proposta por alguns círculos do Design Inteligente, me veem à cabeça que Feser está certo dentro de sua própria perspectiva particular. Você precisa de muita pachorra pra acreditar nos que falam em negar, de forma absoluta, todos os processos de causalidade vertical ou transcendental, enquanto dá poderes quase divinos a certos processos causais puramente imanentes e randômicos. Você também acha que consegue sumarizar o que é a causalidade e a totalidade dessas causas que o homem pode discernir dentro de um simples sistema fechado, seja ele imanentista ou mais "metafísico", quando tu se ilude fundamentalmente a respeito disso. (leiam o Mulamadhyamakarika).
Sem querer entrar na lama das disputas entre as milhares de visões ontoteológicas contraditórias, incluindo as visões que fizeram parte do arcabouço ultra-racionalista do Cristianismo ocidental antes do advento do cientificismo moderno, apenas afirmo que para o homem moderno - imerso numa noção panteísta, mecanicista e puramente naturalista, morta e dessacralizada do cosmo - a(s) noção(ões) de causalidade, inteligência, mente, espírito, matéria, etc... foi(ram) [etc...] irremediavelmente distorcida e virou senso comum quase que incontestável aceitar certas concepções finais sem cabimento sobre a natureza e o homem que jamais seriam aceitas sob qualquer ótica intelectualmente razoável ou em qualquer sociedade dita "tradicional", no termo guenoniano da palavra.
De fato, essas coisas foram tão osmotizadas pelo discurso moderno, que contestá-las virou algo até exótico, se analisarmos sob uma ótica geral, uma coisa que a maioria da sociedade atribuiria a lunáticos ou pessoas excepcionalmente reacionárias ou supersticiosas. É uma coisa tão repetida a esmo, tão papagaiada e doutrinada que até mesmo seus oponentes mais ferozes acabam por resvalar nela, de forma inconsciente, nas suas perenes disputas intelectuais. Tal é o caso de William Dembski, sobre quem Edward Feser discorre em seus contra-argumentos ao Design Inteligente.
De fato, e pra sumarizar isso de forma sucinta, o professor Feser acerta em dizer que um dos maiores problemas da noção mecanicista da natureza consiste numa redução de todos os processos imanentes a meros fatos brutos em sequência, nus, crus e desconexos, coisa que os proponentes da teoria do Design Inteligente adotam de forma irrefletiva e inconsciente, e também incorreta. Nisso, está, justamente, a postura suicida daqueles que querem ver a complexidade de certas características acidentais como evidência "irredutível" de um design puramente externalista, pelo Criador, enquanto que ignoram ou simplesmente negam a ordenação eficiente de causas como sinal mais potente de telos vertical e transcendental no Cosmo e na Natureza como um todo - ainda que como toda a visão ontológica - algo ainda essencialmente circunstancial. Pra eles, o mundo é só um relógio morto, que fica fazendo tic-tac o tempo inteiro, sem nenhum propósito ou fim, e tudo isso dentro de uma autossuficiência quase que pura e intocável - onde a sequência de eventos em si, como fato bruto, constitui numa sucessão explanatória adequada a si mesmo e ao todo - coisa completamente absurda e falaciosa, mas enfim.
O problema em si é que o o materialismo cientificista, o mecanicismo, em si, embora tenham zero valor e significância como moldes sistemáticos explanatórios, historicamente servem uma função pelo menos útil: o de desviar a atenção da metafísica para questões mais práticas e mais acessíveis ao limitado intelecto humano - coisas que por exemplo a ciência moderna nas suas ramificações fisicalistas e biológicas lida. Se tu for ver o tipo de debate que os Escolásticos ou os Brahmins no tempo de Buda faziam, você vai entender o que eu estou falando. O problema maior em si, consiste - sempre - na reificação daquilo que é apenas um ponto de vista particular e essencialista dentro de um molde ontologístico particular que de repente passa a encompassar tudo magicamente. Em outras palavras, o problema de todos esses debates, e a raiz principal e inconsciente do subjetivismo moderno, consiste na adoção da ontologia-qua-metafísica - na ontoteologia como Heidegger a concebia, para os mais perspicazes terem noção do que estou falando - precisamente na reificação dessa ontologia em algo mais que um objeto discursivo e perspectivo em si, em suma na adoção daquilo que Nagarjuna chamaria de ponto de vista substancial, absolutista e eternalista - usado por esses intelectuais como uma barreira ilusória à perspectiva essencialmente niilista e igualmente extremista do mecanicismo moderno. Esse é um problema primordial, e um problema no qual o professor Feser resvala centralmente na sua adoção do ponto de vista especulativo aristotélico-tomista, que ultimamente devemos rejeitar, embora concordemos em parte com sua metodologia, argumentos e análises e sua crítica total ao ponto de vista mecanicista.
Devemos concluir que antigamente o ponto de vista mecanicista não era prevalente. A natureza em si era vista como possuindo certas características e atributos inequivocamente verticais, transcendentais e "divinos" - seja nos numina, nos antigos Lares (ou Lases), ou na cultuação de certos deuses do fogo, da água, dos elementos, etc... Tudo isso, principalmente se adotarmos a ótica revolucionária de J. Evola sobre o assunto, mas também se nos atermos a uma simples perspectiva aristotélica do Cosmo, nos leva a concluir que a natureza possuía - em tempos menos materializados, dessacralizados e niilistas - uma certa característica, certas potências e um ordenamento que fogem em muito à percepção e ao senso comum dos modernos, confinados que estão à visão do cosmo como um relógio gigante e nada mais.
Analisando alguns dos arguments tomistas do prof. Edward Feser, principalmente com relação às noções mecanicistas de Paley e à dita teoria da "complexidade especificada" proposta por alguns círculos do Design Inteligente, me veem à cabeça que Feser está certo dentro de sua própria perspectiva particular. Você precisa de muita pachorra pra acreditar nos que falam em negar, de forma absoluta, todos os processos de causalidade vertical ou transcendental, enquanto dá poderes quase divinos a certos processos causais puramente imanentes e randômicos. Você também acha que consegue sumarizar o que é a causalidade e a totalidade dessas causas que o homem pode discernir dentro de um simples sistema fechado, seja ele imanentista ou mais "metafísico", quando tu se ilude fundamentalmente a respeito disso. (leiam o Mulamadhyamakarika).
Sem querer entrar na lama das disputas entre as milhares de visões ontoteológicas contraditórias, incluindo as visões que fizeram parte do arcabouço ultra-racionalista do Cristianismo ocidental antes do advento do cientificismo moderno, apenas afirmo que para o homem moderno - imerso numa noção panteísta, mecanicista e puramente naturalista, morta e dessacralizada do cosmo - a(s) noção(ões) de causalidade, inteligência, mente, espírito, matéria, etc... foi(ram) [etc...] irremediavelmente distorcida e virou senso comum quase que incontestável aceitar certas concepções finais sem cabimento sobre a natureza e o homem que jamais seriam aceitas sob qualquer ótica intelectualmente razoável ou em qualquer sociedade dita "tradicional", no termo guenoniano da palavra.
De fato, essas coisas foram tão osmotizadas pelo discurso moderno, que contestá-las virou algo até exótico, se analisarmos sob uma ótica geral, uma coisa que a maioria da sociedade atribuiria a lunáticos ou pessoas excepcionalmente reacionárias ou supersticiosas. É uma coisa tão repetida a esmo, tão papagaiada e doutrinada que até mesmo seus oponentes mais ferozes acabam por resvalar nela, de forma inconsciente, nas suas perenes disputas intelectuais. Tal é o caso de William Dembski, sobre quem Edward Feser discorre em seus contra-argumentos ao Design Inteligente.
De fato, e pra sumarizar isso de forma sucinta, o professor Feser acerta em dizer que um dos maiores problemas da noção mecanicista da natureza consiste numa redução de todos os processos imanentes a meros fatos brutos em sequência, nus, crus e desconexos, coisa que os proponentes da teoria do Design Inteligente adotam de forma irrefletiva e inconsciente, e também incorreta. Nisso, está, justamente, a postura suicida daqueles que querem ver a complexidade de certas características acidentais como evidência "irredutível" de um design puramente externalista, pelo Criador, enquanto que ignoram ou simplesmente negam a ordenação eficiente de causas como sinal mais potente de telos vertical e transcendental no Cosmo e na Natureza como um todo - ainda que como toda a visão ontológica - algo ainda essencialmente circunstancial. Pra eles, o mundo é só um relógio morto, que fica fazendo tic-tac o tempo inteiro, sem nenhum propósito ou fim, e tudo isso dentro de uma autossuficiência quase que pura e intocável - onde a sequência de eventos em si, como fato bruto, constitui numa sucessão explanatória adequada a si mesmo e ao todo - coisa completamente absurda e falaciosa, mas enfim.
O problema em si é que o o materialismo cientificista, o mecanicismo, em si, embora tenham zero valor e significância como moldes sistemáticos explanatórios, historicamente servem uma função pelo menos útil: o de desviar a atenção da metafísica para questões mais práticas e mais acessíveis ao limitado intelecto humano - coisas que por exemplo a ciência moderna nas suas ramificações fisicalistas e biológicas lida. Se tu for ver o tipo de debate que os Escolásticos ou os Brahmins no tempo de Buda faziam, você vai entender o que eu estou falando. O problema maior em si, consiste - sempre - na reificação daquilo que é apenas um ponto de vista particular e essencialista dentro de um molde ontologístico particular que de repente passa a encompassar tudo magicamente. Em outras palavras, o problema de todos esses debates, e a raiz principal e inconsciente do subjetivismo moderno, consiste na adoção da ontologia-qua-metafísica - na ontoteologia como Heidegger a concebia, para os mais perspicazes terem noção do que estou falando - precisamente na reificação dessa ontologia em algo mais que um objeto discursivo e perspectivo em si, em suma na adoção daquilo que Nagarjuna chamaria de ponto de vista substancial, absolutista e eternalista - usado por esses intelectuais como uma barreira ilusória à perspectiva essencialmente niilista e igualmente extremista do mecanicismo moderno. Esse é um problema primordial, e um problema no qual o professor Feser resvala centralmente na sua adoção do ponto de vista especulativo aristotélico-tomista, que ultimamente devemos rejeitar, embora concordemos em parte com sua metodologia, argumentos e análises e sua crítica total ao ponto de vista mecanicista.
Devemos concluir que antigamente o ponto de vista mecanicista não era prevalente. A natureza em si era vista como possuindo certas características e atributos inequivocamente verticais, transcendentais e "divinos" - seja nos numina, nos antigos Lares (ou Lases), ou na cultuação de certos deuses do fogo, da água, dos elementos, etc... Tudo isso, principalmente se adotarmos a ótica revolucionária de J. Evola sobre o assunto, mas também se nos atermos a uma simples perspectiva aristotélica do Cosmo, nos leva a concluir que a natureza possuía - em tempos menos materializados, dessacralizados e niilistas - uma certa característica, certas potências e um ordenamento que fogem em muito à percepção e ao senso comum dos modernos, confinados que estão à visão do cosmo como um relógio gigante e nada mais.
domingo, 10 de junho de 2018
A Filosofia Não Tem Respostas Para Suas Ânsias Existenciais
O
maior problema de todo o âmbito intelectual dos pensadores modernos, em
suas tentativas de provar ou refutar Deus ou conceitos teológicos,
consiste no fato que toda a asserção logicamente dedutiva que fazem é
por si só de âmbito contingente, limitado e apenas circunstancial.
Esse é o problema de todo o sistema filosófico em si: suas conclusões não parecem nem totalmente reais nem totalmente irreais, mas tão somente uma contingência que pode ser reforçada ou quebrada segundo uma míriada de pontos de vista diferentes.
De fato, o mais seguro seria afirmar que toda e qualquer tentativa de criar um sistema filosófico está fadada ao fracasso, quando a linguagem é o maior obstáculo na suposta relação deste sistema com a realidade em torno dele.
Assim, nenhum argumento filosófico jamais vai "provar" a existência de Deus, senão fornecer-nos com talvez um número suficiente de evidências puramente circunstanciais que nos oferecem um motivo e um assento para crer.
Nenhum sistema metafísico qua filosófico se assenta em nada mais que fundações puramente circunstanciais, e mormemente, relativas a ponto de vista, linguagem, orientação, e assim por diante. É impossível argumentar que existe uma base completamente racional para os nossos atos, ou para a existência, ou que a ciência desta base seja compreensível de qualquer forma segundo os métodos dedutivos que temos. Com isso, e complementando que a metolodogia cientificista jamais vai ter escopo suficiente para distinguir questões filosóficas, não há uma maneira segura de o homem discernir o verdadeiro do falso que não esteja sujeita a fatores puramente pessoais.
Isso em si serve para enterrar não apenas os defensores do cientificismo e do racionalismo, como também aqueles que acreditam piamente nos moldes de uma metafísica ou de uma cosmologia puramente teórica que pode ser extrapolada dedutivamente em bases puramente abstratas, justificando conceitos puramente reificados como "essência", "substância" e assim por diante. Tais coisas não passam de meros nomes, e sua realidade é diretamente proporcional somente àquilo que nos é conferido pela nossa própria percepção individual, somente.
O racionalismo, em si, é fruto da Metafísica. Mas quando essa metafísica se quebra, com o que ficamos? Apenas com pontos de vista individuais. Isso sumariza 99% dos debates que vemos sobre esses assuntos. Se a Razão fosse tão potente, ela não seria tão fragmentada, mas de fato ela não o é. Como não existe síntese racional adequada para a nossa compreensão, não podemos falar que o homem tem um conhecimento adequado de mais do que um sem número de factóides mal arranjados, sem organização ou propósito superior que os defina além de sua existência nua e crua. Isso está na raiz do problema da dessacralização do mundo: o número de fatos que descobrimos de maneira alguma nos leva a conclusões superiores sobre seu telos ou sua função intelectual, nos deixando um vazio claro na nossa busca pelo pleno sentido das coisas. À nossa intelectualidade caída, resta apenas contar pedrinhas, sem saber distinguir o Bem do Mal, ou aquilo que é verdadeiramente fundamental mas que perpetuamente ilude o intelecto decaído.
Esse é o problema de todo o sistema filosófico em si: suas conclusões não parecem nem totalmente reais nem totalmente irreais, mas tão somente uma contingência que pode ser reforçada ou quebrada segundo uma míriada de pontos de vista diferentes.
De fato, o mais seguro seria afirmar que toda e qualquer tentativa de criar um sistema filosófico está fadada ao fracasso, quando a linguagem é o maior obstáculo na suposta relação deste sistema com a realidade em torno dele.
Assim, nenhum argumento filosófico jamais vai "provar" a existência de Deus, senão fornecer-nos com talvez um número suficiente de evidências puramente circunstanciais que nos oferecem um motivo e um assento para crer.
Nenhum sistema metafísico qua filosófico se assenta em nada mais que fundações puramente circunstanciais, e mormemente, relativas a ponto de vista, linguagem, orientação, e assim por diante. É impossível argumentar que existe uma base completamente racional para os nossos atos, ou para a existência, ou que a ciência desta base seja compreensível de qualquer forma segundo os métodos dedutivos que temos. Com isso, e complementando que a metolodogia cientificista jamais vai ter escopo suficiente para distinguir questões filosóficas, não há uma maneira segura de o homem discernir o verdadeiro do falso que não esteja sujeita a fatores puramente pessoais.
Isso em si serve para enterrar não apenas os defensores do cientificismo e do racionalismo, como também aqueles que acreditam piamente nos moldes de uma metafísica ou de uma cosmologia puramente teórica que pode ser extrapolada dedutivamente em bases puramente abstratas, justificando conceitos puramente reificados como "essência", "substância" e assim por diante. Tais coisas não passam de meros nomes, e sua realidade é diretamente proporcional somente àquilo que nos é conferido pela nossa própria percepção individual, somente.
O racionalismo, em si, é fruto da Metafísica. Mas quando essa metafísica se quebra, com o que ficamos? Apenas com pontos de vista individuais. Isso sumariza 99% dos debates que vemos sobre esses assuntos. Se a Razão fosse tão potente, ela não seria tão fragmentada, mas de fato ela não o é. Como não existe síntese racional adequada para a nossa compreensão, não podemos falar que o homem tem um conhecimento adequado de mais do que um sem número de factóides mal arranjados, sem organização ou propósito superior que os defina além de sua existência nua e crua. Isso está na raiz do problema da dessacralização do mundo: o número de fatos que descobrimos de maneira alguma nos leva a conclusões superiores sobre seu telos ou sua função intelectual, nos deixando um vazio claro na nossa busca pelo pleno sentido das coisas. À nossa intelectualidade caída, resta apenas contar pedrinhas, sem saber distinguir o Bem do Mal, ou aquilo que é verdadeiramente fundamental mas que perpetuamente ilude o intelecto decaído.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
BITOLADO - PORQUE VOCÊ NÃO DEVE PERDER TEMPO COM O DEBATE EVOLUCIONISMO X CRIACIONISMO
Analisando e re-analisando as teorias modernas de origem da vida,
notadamente as derivadas do famoso experimento de Miller-Urey, vemos os
problemas principais do cientificismo moderno. Um cientificismo que
atribui a causas puramente aleatórias o surgimento da vida, e que ainda
luta para explicar problemas básicos como a stase evolucionária das
espécies, que surgem e desaparecem de repente nos estratos biológicos
sem o gradualismo pressuposto no darwinismo clássico, etc... A pior
pergunta é: se a vida pode ser, sim, o resultado de processos puramente
espontâneos e naturalistas, envolvendo tais aminoácidos, tal "sopa
primordial" e tais relâmpagos, porque as condições mais básicas de
laboratório foram incapazes de criar vida como a conhecemos? Porque a
própria noção de abiogênese foi provada como incorreta pela própria
Ciência?
Enfim, sem querer
entrar nas babaquices que normalmente se travestem de biologia nos
debates entre criacionistas e evolucionistas, podemos verificar que
tanto a teoria do equilíbrio pontuado quanto o neo-Darwinismo ainda
apresentam contradições vitais. Mesmo com os tais "fósseis de
transição", é muito difícil provar como uma espécie de repente vira
outra somente na base de um longo período de tempo e de variações
puramente randômicas de seu código genético. E sem contar que a vida é
mais do que isso: cientificistas frequentemente utilizam uma cosmologia
ultra-reducionista, que basicamente reduz a vida ao status de um
computador complexo - quando sabemos com bastante certeza que
computadores em si são incapazes de terem qualquer forma de
auto-consciência e são limitados a uma arquitetura opaca, binária e
determinista, sem os elementos básicos que a consciência humana tem como
fundamento basal - elementos como a intencionalidade, descrita em
Husserl e Brentano (vide meu artigo abaixo, em inglês).
A complexidade da vida na terra, e o fato que a Terra, em si, é um planeta que não só tem as condições mais próprias para a vida como também *abarca* a dita cuja, sendo mais do que um planetoide morto à deriva no espaço como tantos outros, é um dos maiores mistérios que o homem contemporâneo não conseguiu responder satisfatoriamente tendo seus meios puramente físicos à disposição.
Ao meu ver, tanto a teoria do Design Inteligente quanto o Cientificismo são posições tentadoras para os modernos, mas em si ambas altamente equivocadas. Ambas pressupõem um mecanicismo fundamental, tanto é que não existe lá uma grande diferença entre Dawkins e Paley - os dois proponentes da teoria do relojoeiro e dos equívocos fundamentais dessa dita cuja.
O ser humano moderno aparentemente se esquece também que a composição do ser humano, do indivíduo como tal (vamos utilizar a exótica palavra jiva, aqui, do hinduísmo), é mais do que a soma, do que o mero agregado de suas partes em concerto. De fato, uma breve e cursoria leitura do argumento Neoplatonista do Uno (que estou traduzindo para o Português) destrói essa noção de forma muito concisa. O todo jamais pode ser redutível apenas à soma de suas partes em qualquer organismo.
A complexidade da vida na terra, e o fato que a Terra, em si, é um planeta que não só tem as condições mais próprias para a vida como também *abarca* a dita cuja, sendo mais do que um planetoide morto à deriva no espaço como tantos outros, é um dos maiores mistérios que o homem contemporâneo não conseguiu responder satisfatoriamente tendo seus meios puramente físicos à disposição.
Ao meu ver, tanto a teoria do Design Inteligente quanto o Cientificismo são posições tentadoras para os modernos, mas em si ambas altamente equivocadas. Ambas pressupõem um mecanicismo fundamental, tanto é que não existe lá uma grande diferença entre Dawkins e Paley - os dois proponentes da teoria do relojoeiro e dos equívocos fundamentais dessa dita cuja.
O ser humano moderno aparentemente se esquece também que a composição do ser humano, do indivíduo como tal (vamos utilizar a exótica palavra jiva, aqui, do hinduísmo), é mais do que a soma, do que o mero agregado de suas partes em concerto. De fato, uma breve e cursoria leitura do argumento Neoplatonista do Uno (que estou traduzindo para o Português) destrói essa noção de forma muito concisa. O todo jamais pode ser redutível apenas à soma de suas partes em qualquer organismo.
Isso sem falar
que ambos os lados ignoram - previsivelmente - os dilemas gerados pela
dita parapsicologia. E quando falo em "parapsicologia", me refiro a algo
mais que o psiquismo cru a que a maioria das pessoas que entram nesse
campo se restringem. O ser humano, sendo um composto de agregados
visivelmente psíquicos e imateriais, jamais pode ser comparado a um
relógio puramente mecânico mesmo nos seus agregados psíquicos mais
residuais.
Finalmente, devemos ter em conta que nenhum desses modernos tem o nível de sofisticação cosmológica e profundidade de compreensão que qualquer místico ou mesmo qualquer fakir da Índia ou da Pérsia ou alhures tem. Essa falta de noção é óbvia quando analisamos um Corbin ou um Guénon da vida, ou mesmo lemos um livro sobre esoterismo islâmico ou hindu.
O fato é que para um guenonete básico, que lê os argumentos do mestre que provam que o nível dos debates no mundo moderno é resultado de uma degeneração conceitual, espiritual, moral e intelectual enormes, não deve senão intuir a profunda exatidão dessa averiguação. Tanto é que a episteme moderna é niilista por excelência, sendo incapaz de explicar a níveis mais fundamentais coisas como o que é conhecimento, percepção, realidade, ser e assim por diante.
O homem moderno é uma mente pensante, túrbida e agitada presa dentro das correntes da própria subjetividade, que o cegam de forma total às realidades do mundo ao redor dele. Isso dá origem a conceitos (ilusórios, diga-se de passagem) de uma natureza puramente morta, mecânica, inerte, aprisionada dentro de paradigmas teóricos que viram o misticismo cru e superficial dos debates entre design inteligente e evolucionismo.
Finalmente, devemos ter em conta que nenhum desses modernos tem o nível de sofisticação cosmológica e profundidade de compreensão que qualquer místico ou mesmo qualquer fakir da Índia ou da Pérsia ou alhures tem. Essa falta de noção é óbvia quando analisamos um Corbin ou um Guénon da vida, ou mesmo lemos um livro sobre esoterismo islâmico ou hindu.
O fato é que para um guenonete básico, que lê os argumentos do mestre que provam que o nível dos debates no mundo moderno é resultado de uma degeneração conceitual, espiritual, moral e intelectual enormes, não deve senão intuir a profunda exatidão dessa averiguação. Tanto é que a episteme moderna é niilista por excelência, sendo incapaz de explicar a níveis mais fundamentais coisas como o que é conhecimento, percepção, realidade, ser e assim por diante.
O homem moderno é uma mente pensante, túrbida e agitada presa dentro das correntes da própria subjetividade, que o cegam de forma total às realidades do mundo ao redor dele. Isso dá origem a conceitos (ilusórios, diga-se de passagem) de uma natureza puramente morta, mecânica, inerte, aprisionada dentro de paradigmas teóricos que viram o misticismo cru e superficial dos debates entre design inteligente e evolucionismo.
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