segunda-feira, 6 de abril de 2020

A Categorização Adequada da Razão Segundo os Preceitos Platônicos, e a Crítica Kantiana

Na hierarquia geral do conhecimento platônico, vemos que a Razão ocupa apenas uma colocação subordinada e intermediária na grande hierarquia do conhecimento.

A começar pela Renascença, todos os filósofos – em principal Hegel e Descartes – limitam a inteligência e o real ao racional, utilizando-se da acepção guénoniana, a razão era e sempre foi impotente para atingir a verdade absoluta, atendo-se apenas a uma verdade relativa. Nisso, por exemplo, temos amplo paralelo não só em Platão, como também nas doutrinas de Nagarjuna e Gaudapada sobre as ditas duas realidades.

Segundo a acepção platônica (A República, Teeteto, Fédon), a razão constitui um ponto intermediário na hierarquia gnosiológica, situada acima da doxa e do Não Ser, mas abaixo da matemática e da geometria puras que são as expressões superiores do conhecimento dianoético – ou conhecimento pertinente ao que é discursivo – sendo que – neste caso, a intelectualidade autêntica seria composta do conhecimento das Formas através da intuição intelectual.

Sendo assim vemos que a Razão em Platão não era a “razão” dos empiricistas, nem a deidade idolátrica dos racionalistas modernos. Ela não se fiava no mundo sensível, pulando de ideia a ideia através de sua própria orientação lógica: também é plausível a nós acreditarmos que ela era atada rijamente ao paradigma geométrico e matemático do mundo inteligível. Sendo assim, em si em vista do que já propusemos em nosso artigo sobre a mathese platônica e pitagórica, podemos fazer uma gradação da razão nas seguintes duas categorias hierárquicas fundamentais:

1a: a Razão pura, guiada pela matemática e pela lógica matemática dita paraconsistente (vide Newton da Costa). Esta seria capaz de penetrar o cerne da realidade do mundo inteligível, abstendo-se de qualquer contato com o mundo sensível. Constitui-se então uma dianoia legítima.

2a: a Razão pura, guiada pela lógica aristotélica clássica, fiando-se de ideia a ideia sem recurso ao mundo sensível. Esta seria a parte mais inferior do conhecimento dianoético, senão apenas um intermediário entre esta e a doxa pura. Seria composta de julgamentos condicionais, de valor relativo, mas de certo forma válidos e autênticos.

Por ex: as cinco vias de Tomás de Aquino, a prova ontológica de Abelardo, a ananke stenai de Aristóteles. Dentre outros.

Acreditamos, assim, que podemos desta forma construir uma síntese hierárquica que possa corrigir a idolatria da Razão que erroneamente tomou conta do pensamento moderno, e atribuí-la uma capacitação hierárquica mais precisa que possa nos dar plena compreensão das suas limitações e de seu autêntico escopo como conhecimento – evitando-se, assim, a idolatria que a o pensamento moderno a atribuiu injusta e erroneamente.