A
ilusão do evolucionismo é, em si, um fruto da dessacralização da
natureza que criou o mecanicismo e o dualismo cartesianismo em primeiro
lugar.
Analisando alguns dos arguments tomistas do prof. Edward Feser, principalmente com relação às noções mecanicistas de Paley e à dita teoria da "complexidade especificada" proposta por alguns círculos do Design Inteligente, me veem à cabeça que Feser está certo dentro de sua própria perspectiva particular. Você precisa de muita pachorra pra acreditar nos que falam em negar, de forma absoluta, todos os processos de causalidade vertical ou transcendental, enquanto dá poderes quase divinos a certos processos causais puramente imanentes e randômicos. Você também acha que consegue sumarizar o que é a causalidade e a totalidade dessas causas que o homem pode discernir dentro de um simples sistema fechado, seja ele imanentista ou mais "metafísico", quando tu se ilude fundamentalmente a respeito disso. (leiam o Mulamadhyamakarika).
Sem querer entrar na lama das disputas entre as milhares de visões ontoteológicas contraditórias, incluindo as visões que fizeram parte do arcabouço ultra-racionalista do Cristianismo ocidental antes do advento do cientificismo moderno, apenas afirmo que para o homem moderno - imerso numa noção panteísta, mecanicista e puramente naturalista, morta e dessacralizada do cosmo - a(s) noção(ões) de causalidade, inteligência, mente, espírito, matéria, etc... foi(ram) [etc...] irremediavelmente distorcida e virou senso comum quase que incontestável aceitar certas concepções finais sem cabimento sobre a natureza e o homem que jamais seriam aceitas sob qualquer ótica intelectualmente razoável ou em qualquer sociedade dita "tradicional", no termo guenoniano da palavra.
De fato, essas coisas foram tão osmotizadas pelo discurso moderno, que contestá-las virou algo até exótico, se analisarmos sob uma ótica geral, uma coisa que a maioria da sociedade atribuiria a lunáticos ou pessoas excepcionalmente reacionárias ou supersticiosas. É uma coisa tão repetida a esmo, tão papagaiada e doutrinada que até mesmo seus oponentes mais ferozes acabam por resvalar nela, de forma inconsciente, nas suas perenes disputas intelectuais. Tal é o caso de William Dembski, sobre quem Edward Feser discorre em seus contra-argumentos ao Design Inteligente.
De fato, e pra sumarizar isso de forma sucinta, o professor Feser acerta em dizer que um dos maiores problemas da noção mecanicista da natureza consiste numa redução de todos os processos imanentes a meros fatos brutos em sequência, nus, crus e desconexos, coisa que os proponentes da teoria do Design Inteligente adotam de forma irrefletiva e inconsciente, e também incorreta. Nisso, está, justamente, a postura suicida daqueles que querem ver a complexidade de certas características acidentais como evidência "irredutível" de um design puramente externalista, pelo Criador, enquanto que ignoram ou simplesmente negam a ordenação eficiente de causas como sinal mais potente de telos vertical e transcendental no Cosmo e na Natureza como um todo - ainda que como toda a visão ontológica - algo ainda essencialmente circunstancial. Pra eles, o mundo é só um relógio morto, que fica fazendo tic-tac o tempo inteiro, sem nenhum propósito ou fim, e tudo isso dentro de uma autossuficiência quase que pura e intocável - onde a sequência de eventos em si, como fato bruto, constitui numa sucessão explanatória adequada a si mesmo e ao todo - coisa completamente absurda e falaciosa, mas enfim.
O problema em si é que o o materialismo cientificista, o mecanicismo, em si, embora tenham zero valor e significância como moldes sistemáticos explanatórios, historicamente servem uma função pelo menos útil: o de desviar a atenção da metafísica para questões mais práticas e mais acessíveis ao limitado intelecto humano - coisas que por exemplo a ciência moderna nas suas ramificações fisicalistas e biológicas lida. Se tu for ver o tipo de debate que os Escolásticos ou os Brahmins no tempo de Buda faziam, você vai entender o que eu estou falando. O problema maior em si, consiste - sempre - na reificação daquilo que é apenas um ponto de vista particular e essencialista dentro de um molde ontologístico particular que de repente passa a encompassar tudo magicamente. Em outras palavras, o problema de todos esses debates, e a raiz principal e inconsciente do subjetivismo moderno, consiste na adoção da ontologia-qua-metafísica - na ontoteologia como Heidegger a concebia, para os mais perspicazes terem noção do que estou falando - precisamente na reificação dessa ontologia em algo mais que um objeto discursivo e perspectivo em si, em suma na adoção daquilo que Nagarjuna chamaria de ponto de vista substancial, absolutista e eternalista - usado por esses intelectuais como uma barreira ilusória à perspectiva essencialmente niilista e igualmente extremista do mecanicismo moderno. Esse é um problema primordial, e um problema no qual o professor Feser resvala centralmente na sua adoção do ponto de vista especulativo aristotélico-tomista, que ultimamente devemos rejeitar, embora concordemos em parte com sua metodologia, argumentos e análises e sua crítica total ao ponto de vista mecanicista.
Devemos concluir que antigamente o ponto de vista mecanicista não era prevalente. A natureza em si era vista como possuindo certas características e atributos inequivocamente verticais, transcendentais e "divinos" - seja nos numina, nos antigos Lares (ou Lases), ou na cultuação de certos deuses do fogo, da água, dos elementos, etc... Tudo isso, principalmente se adotarmos a ótica revolucionária de J. Evola sobre o assunto, mas também se nos atermos a uma simples perspectiva aristotélica do Cosmo, nos leva a concluir que a natureza possuía - em tempos menos materializados, dessacralizados e niilistas - uma certa característica, certas potências e um ordenamento que fogem em muito à percepção e ao senso comum dos modernos, confinados que estão à visão do cosmo como um relógio gigante e nada mais.
Analisando alguns dos arguments tomistas do prof. Edward Feser, principalmente com relação às noções mecanicistas de Paley e à dita teoria da "complexidade especificada" proposta por alguns círculos do Design Inteligente, me veem à cabeça que Feser está certo dentro de sua própria perspectiva particular. Você precisa de muita pachorra pra acreditar nos que falam em negar, de forma absoluta, todos os processos de causalidade vertical ou transcendental, enquanto dá poderes quase divinos a certos processos causais puramente imanentes e randômicos. Você também acha que consegue sumarizar o que é a causalidade e a totalidade dessas causas que o homem pode discernir dentro de um simples sistema fechado, seja ele imanentista ou mais "metafísico", quando tu se ilude fundamentalmente a respeito disso. (leiam o Mulamadhyamakarika).
Sem querer entrar na lama das disputas entre as milhares de visões ontoteológicas contraditórias, incluindo as visões que fizeram parte do arcabouço ultra-racionalista do Cristianismo ocidental antes do advento do cientificismo moderno, apenas afirmo que para o homem moderno - imerso numa noção panteísta, mecanicista e puramente naturalista, morta e dessacralizada do cosmo - a(s) noção(ões) de causalidade, inteligência, mente, espírito, matéria, etc... foi(ram) [etc...] irremediavelmente distorcida e virou senso comum quase que incontestável aceitar certas concepções finais sem cabimento sobre a natureza e o homem que jamais seriam aceitas sob qualquer ótica intelectualmente razoável ou em qualquer sociedade dita "tradicional", no termo guenoniano da palavra.
De fato, essas coisas foram tão osmotizadas pelo discurso moderno, que contestá-las virou algo até exótico, se analisarmos sob uma ótica geral, uma coisa que a maioria da sociedade atribuiria a lunáticos ou pessoas excepcionalmente reacionárias ou supersticiosas. É uma coisa tão repetida a esmo, tão papagaiada e doutrinada que até mesmo seus oponentes mais ferozes acabam por resvalar nela, de forma inconsciente, nas suas perenes disputas intelectuais. Tal é o caso de William Dembski, sobre quem Edward Feser discorre em seus contra-argumentos ao Design Inteligente.
De fato, e pra sumarizar isso de forma sucinta, o professor Feser acerta em dizer que um dos maiores problemas da noção mecanicista da natureza consiste numa redução de todos os processos imanentes a meros fatos brutos em sequência, nus, crus e desconexos, coisa que os proponentes da teoria do Design Inteligente adotam de forma irrefletiva e inconsciente, e também incorreta. Nisso, está, justamente, a postura suicida daqueles que querem ver a complexidade de certas características acidentais como evidência "irredutível" de um design puramente externalista, pelo Criador, enquanto que ignoram ou simplesmente negam a ordenação eficiente de causas como sinal mais potente de telos vertical e transcendental no Cosmo e na Natureza como um todo - ainda que como toda a visão ontológica - algo ainda essencialmente circunstancial. Pra eles, o mundo é só um relógio morto, que fica fazendo tic-tac o tempo inteiro, sem nenhum propósito ou fim, e tudo isso dentro de uma autossuficiência quase que pura e intocável - onde a sequência de eventos em si, como fato bruto, constitui numa sucessão explanatória adequada a si mesmo e ao todo - coisa completamente absurda e falaciosa, mas enfim.
O problema em si é que o o materialismo cientificista, o mecanicismo, em si, embora tenham zero valor e significância como moldes sistemáticos explanatórios, historicamente servem uma função pelo menos útil: o de desviar a atenção da metafísica para questões mais práticas e mais acessíveis ao limitado intelecto humano - coisas que por exemplo a ciência moderna nas suas ramificações fisicalistas e biológicas lida. Se tu for ver o tipo de debate que os Escolásticos ou os Brahmins no tempo de Buda faziam, você vai entender o que eu estou falando. O problema maior em si, consiste - sempre - na reificação daquilo que é apenas um ponto de vista particular e essencialista dentro de um molde ontologístico particular que de repente passa a encompassar tudo magicamente. Em outras palavras, o problema de todos esses debates, e a raiz principal e inconsciente do subjetivismo moderno, consiste na adoção da ontologia-qua-metafísica - na ontoteologia como Heidegger a concebia, para os mais perspicazes terem noção do que estou falando - precisamente na reificação dessa ontologia em algo mais que um objeto discursivo e perspectivo em si, em suma na adoção daquilo que Nagarjuna chamaria de ponto de vista substancial, absolutista e eternalista - usado por esses intelectuais como uma barreira ilusória à perspectiva essencialmente niilista e igualmente extremista do mecanicismo moderno. Esse é um problema primordial, e um problema no qual o professor Feser resvala centralmente na sua adoção do ponto de vista especulativo aristotélico-tomista, que ultimamente devemos rejeitar, embora concordemos em parte com sua metodologia, argumentos e análises e sua crítica total ao ponto de vista mecanicista.
Devemos concluir que antigamente o ponto de vista mecanicista não era prevalente. A natureza em si era vista como possuindo certas características e atributos inequivocamente verticais, transcendentais e "divinos" - seja nos numina, nos antigos Lares (ou Lases), ou na cultuação de certos deuses do fogo, da água, dos elementos, etc... Tudo isso, principalmente se adotarmos a ótica revolucionária de J. Evola sobre o assunto, mas também se nos atermos a uma simples perspectiva aristotélica do Cosmo, nos leva a concluir que a natureza possuía - em tempos menos materializados, dessacralizados e niilistas - uma certa característica, certas potências e um ordenamento que fogem em muito à percepção e ao senso comum dos modernos, confinados que estão à visão do cosmo como um relógio gigante e nada mais.
Fantástica análise meu amigo, quanto mais o homem se volta p o materialismo/consumismo/tecnocrata mas miserável este se torna em termos espirituais. O mundo se tornou um vale de zumbis autômatos regidos pelos impulsos mais fúteis e ideologias mais absurdas e disformes.
ResponderExcluirConcordo. Nada a acrescentar.
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