Enfim, sem querer
entrar nas babaquices que normalmente se travestem de biologia nos
debates entre criacionistas e evolucionistas, podemos verificar que
tanto a teoria do equilíbrio pontuado quanto o neo-Darwinismo ainda
apresentam contradições vitais. Mesmo com os tais "fósseis de
transição", é muito difícil provar como uma espécie de repente vira
outra somente na base de um longo período de tempo e de variações
puramente randômicas de seu código genético. E sem contar que a vida é
mais do que isso: cientificistas frequentemente utilizam uma cosmologia
ultra-reducionista, que basicamente reduz a vida ao status de um
computador complexo - quando sabemos com bastante certeza que
computadores em si são incapazes de terem qualquer forma de
auto-consciência e são limitados a uma arquitetura opaca, binária e
determinista, sem os elementos básicos que a consciência humana tem como
fundamento basal - elementos como a intencionalidade, descrita em
Husserl e Brentano (vide meu artigo abaixo, em inglês).
A complexidade da vida na terra, e o fato que a Terra, em si, é um planeta que não só tem as condições mais próprias para a vida como também *abarca* a dita cuja, sendo mais do que um planetoide morto à deriva no espaço como tantos outros, é um dos maiores mistérios que o homem contemporâneo não conseguiu responder satisfatoriamente tendo seus meios puramente físicos à disposição.
Ao meu ver, tanto a teoria do Design Inteligente quanto o Cientificismo são posições tentadoras para os modernos, mas em si ambas altamente equivocadas. Ambas pressupõem um mecanicismo fundamental, tanto é que não existe lá uma grande diferença entre Dawkins e Paley - os dois proponentes da teoria do relojoeiro e dos equívocos fundamentais dessa dita cuja.
O ser humano moderno aparentemente se esquece também que a composição do ser humano, do indivíduo como tal (vamos utilizar a exótica palavra jiva, aqui, do hinduísmo), é mais do que a soma, do que o mero agregado de suas partes em concerto. De fato, uma breve e cursoria leitura do argumento Neoplatonista do Uno (que estou traduzindo para o Português) destrói essa noção de forma muito concisa. O todo jamais pode ser redutível apenas à soma de suas partes em qualquer organismo.
A complexidade da vida na terra, e o fato que a Terra, em si, é um planeta que não só tem as condições mais próprias para a vida como também *abarca* a dita cuja, sendo mais do que um planetoide morto à deriva no espaço como tantos outros, é um dos maiores mistérios que o homem contemporâneo não conseguiu responder satisfatoriamente tendo seus meios puramente físicos à disposição.
Ao meu ver, tanto a teoria do Design Inteligente quanto o Cientificismo são posições tentadoras para os modernos, mas em si ambas altamente equivocadas. Ambas pressupõem um mecanicismo fundamental, tanto é que não existe lá uma grande diferença entre Dawkins e Paley - os dois proponentes da teoria do relojoeiro e dos equívocos fundamentais dessa dita cuja.
O ser humano moderno aparentemente se esquece também que a composição do ser humano, do indivíduo como tal (vamos utilizar a exótica palavra jiva, aqui, do hinduísmo), é mais do que a soma, do que o mero agregado de suas partes em concerto. De fato, uma breve e cursoria leitura do argumento Neoplatonista do Uno (que estou traduzindo para o Português) destrói essa noção de forma muito concisa. O todo jamais pode ser redutível apenas à soma de suas partes em qualquer organismo.
Isso sem falar
que ambos os lados ignoram - previsivelmente - os dilemas gerados pela
dita parapsicologia. E quando falo em "parapsicologia", me refiro a algo
mais que o psiquismo cru a que a maioria das pessoas que entram nesse
campo se restringem. O ser humano, sendo um composto de agregados
visivelmente psíquicos e imateriais, jamais pode ser comparado a um
relógio puramente mecânico mesmo nos seus agregados psíquicos mais
residuais.
Finalmente, devemos ter em conta que nenhum desses modernos tem o nível de sofisticação cosmológica e profundidade de compreensão que qualquer místico ou mesmo qualquer fakir da Índia ou da Pérsia ou alhures tem. Essa falta de noção é óbvia quando analisamos um Corbin ou um Guénon da vida, ou mesmo lemos um livro sobre esoterismo islâmico ou hindu.
O fato é que para um guenonete básico, que lê os argumentos do mestre que provam que o nível dos debates no mundo moderno é resultado de uma degeneração conceitual, espiritual, moral e intelectual enormes, não deve senão intuir a profunda exatidão dessa averiguação. Tanto é que a episteme moderna é niilista por excelência, sendo incapaz de explicar a níveis mais fundamentais coisas como o que é conhecimento, percepção, realidade, ser e assim por diante.
O homem moderno é uma mente pensante, túrbida e agitada presa dentro das correntes da própria subjetividade, que o cegam de forma total às realidades do mundo ao redor dele. Isso dá origem a conceitos (ilusórios, diga-se de passagem) de uma natureza puramente morta, mecânica, inerte, aprisionada dentro de paradigmas teóricos que viram o misticismo cru e superficial dos debates entre design inteligente e evolucionismo.
Finalmente, devemos ter em conta que nenhum desses modernos tem o nível de sofisticação cosmológica e profundidade de compreensão que qualquer místico ou mesmo qualquer fakir da Índia ou da Pérsia ou alhures tem. Essa falta de noção é óbvia quando analisamos um Corbin ou um Guénon da vida, ou mesmo lemos um livro sobre esoterismo islâmico ou hindu.
O fato é que para um guenonete básico, que lê os argumentos do mestre que provam que o nível dos debates no mundo moderno é resultado de uma degeneração conceitual, espiritual, moral e intelectual enormes, não deve senão intuir a profunda exatidão dessa averiguação. Tanto é que a episteme moderna é niilista por excelência, sendo incapaz de explicar a níveis mais fundamentais coisas como o que é conhecimento, percepção, realidade, ser e assim por diante.
O homem moderno é uma mente pensante, túrbida e agitada presa dentro das correntes da própria subjetividade, que o cegam de forma total às realidades do mundo ao redor dele. Isso dá origem a conceitos (ilusórios, diga-se de passagem) de uma natureza puramente morta, mecânica, inerte, aprisionada dentro de paradigmas teóricos que viram o misticismo cru e superficial dos debates entre design inteligente e evolucionismo.
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