terça-feira, 14 de agosto de 2018

SOBRE CONHECIMENTO PROFANO VERSUS CONHECIMENTO INICIÁTICO

O problema do possível e do real parece muito simples e óbvio a mim, mas, é claro, sob a estrita condição de que devemos examiná-lo do ponto de vista denominado “metafísico” (n. do t. pode-se definir como sattvico, gnóstico, iniciático ou tradicional); é óbvio que, do ponto de vista filosófico, pode-se sempre pensar qualquer coisa de qualquer maneira e discorrer sobre qualquer problema repetidamente sem nunca alcançar uma conclusão; é mesmo aquilo que caracteriza a especulação profana, e eu nunca fui capaz de entreter qualquer interesse por esses ditos “problemas” que fundamentalmente têm apenas uma existência verbal. - René Guénon
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Sob a luz mais favorável a que podemos concedê-la, a Filosofia assim consiste na “Sabedoria Humana”, ou uma de suas formas, mas em qualquer instância ela continua sendo só isso, e por isso podemos alegar com segurança que ela é uma coisa muito pobre, uma especulação de caráter pura e meramente racional fundada sobre faculdades meramente humanas. […] Aquilo que denotamos de “razão humana” é apenas a “sabedoria humana” dos Evangelhos; então podemos declarar que não passa de “sabedoria profana”, e que o que temos sob discussão aqui não é uma sabedoria autêntica mas apenas sua sombra – e uma sombra completamente ineficiente, que se encontra frequentemente “invertida”. Pois então, a maioria das filosofias não constitui sequer uma sombra dessa Sabedoria, sob qualquer perspectiva que ousemos imaginar essa sombra como sendo de qualquer forma.

Especialmente onde as filosofias modernas estão em mente e voga, das quais mesmo os vestígios mais parcos do conhecimento tradicional autêntico se esvaneceram, tratam-se aqui apenas de um construto sem fundamentos basais discerníveis, coleções de hipóteses mais ou menos fantásticas – e finalmente, meras opiniões individuais sem qualquer importância efetiva ou qualquer semblante de autoridade doutrinal. - René Guénon

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