Em
nossos tempos hiper-intelectualizados a erudição balofa, ou a redução
de tudo ao intelectualismo simples e ao academicismo, toma conta de
nossos campos.
Isso em si já era um problema da Escolástica Católica, e da compreensão limitada da mente dada por Agostinho e São Tomás que relegou tudo ao intelectualismo.
Mas vejamos bem. Antigamente, quando não havia impressão de livros, a via oral era vista como a forma mais confiável para a transmissão de qualquer corpo de dados. Tanto é que no antigo Império Otomano, a transmissão oral tinha precedente sobre a palavra escrita.
Ter livros em si, era difícil e caro. Assim como saber ler e escrever, em geral, o que dava às bibliotecas enormes de potentados da época uma dimensão ainda mais prestigiosa do que hoje em dia.
Com a invenção da prensa, e a democratização do livro - em paralelo ao surgimento do Protestantismo - pela primeira vez houve uma ruptura neste precedente, e a dimensão da palavra escrita começou a inflar-se de forma além do que costumava ter.
Mas o problema maior com isso está associado ao fato de que nem tudo que é posto no papel pode ser compreendido sem ser devidamente ensinado em primeiro momento. Esse processo, que é sempre demonizado e distorcido pelos modernos como uma forma de exercer coerção e controle psico-espiritual sobre as massas, se esquece que com o advento da palavra escrita em massa tais meios de coerção simplesmente assumiram formas bem mais massivas e onipresentes hoje em dia.
Quem não conhece o poder da mídia hoje em dia não tem cabeça pra entender o que eu estou falando. As dimensões de tal poder e controle são muito maior que as antigas autoridades tradicionais, como reis e papas, jamais poderiam sonhar em exercer em tempos passados.
Mas retornando ao ponto principal, a transmissão oral - longe de ser uma forma de controle e coerção - era também uma forma de docência que garantia a cadeia ininterrupta, fiel e própria de transmissão de dados, incluindo dados espirituais.
Por isso mesmo a vivência junto do Mestre, da autoridade religiosa, e seguir seus preceitos e ensinamentos constitui um feito tão importante quanto possuir e ter noção dos escritos canônicas de uma dita, uhmmm, "forma tradicional" no sentido guenonete da palavra.
A vivência da espiritualidade é tão ou mais importante que sua mera compreensão intelectual, em caixinhas armazenadas na mente, senão bem mais importante. E essa vivência que proporciona, em si, a transmissão oral daquilo que não está escrito ou que não pode - pelo seu caráter velado ou simplesmente prático, operacional, supra-racional, etc... - ser reduzido a uma exposição simplificada em um meio escrito qualquer.
Assim, os academicistas que se dignam a estudar religião comparada ou que passam horas lendo tomos sobre essa ou tal religião devem ter em mente que o processo de compreensão - por inteiro - envolve mais do que a plena aquisição intelectual de certos conceitos e sim a devida intelectualização destes por meio de sua vivência junto a quem sabe e/ou quem também pratica.
A erudição balofa, ou mesmo aquela erudição de passatempo que busca coletar e agregar toda uma variedade de dados de tudo enquanto que ignora os pontos sutis e essenciais do que falo, no final das contas, não leva à nada e o seu resultado é a esterilidade espiritual típica das cátedras de sábios deste mundo.
Isso em si já era um problema da Escolástica Católica, e da compreensão limitada da mente dada por Agostinho e São Tomás que relegou tudo ao intelectualismo.
Mas vejamos bem. Antigamente, quando não havia impressão de livros, a via oral era vista como a forma mais confiável para a transmissão de qualquer corpo de dados. Tanto é que no antigo Império Otomano, a transmissão oral tinha precedente sobre a palavra escrita.
Ter livros em si, era difícil e caro. Assim como saber ler e escrever, em geral, o que dava às bibliotecas enormes de potentados da época uma dimensão ainda mais prestigiosa do que hoje em dia.
Com a invenção da prensa, e a democratização do livro - em paralelo ao surgimento do Protestantismo - pela primeira vez houve uma ruptura neste precedente, e a dimensão da palavra escrita começou a inflar-se de forma além do que costumava ter.
Mas o problema maior com isso está associado ao fato de que nem tudo que é posto no papel pode ser compreendido sem ser devidamente ensinado em primeiro momento. Esse processo, que é sempre demonizado e distorcido pelos modernos como uma forma de exercer coerção e controle psico-espiritual sobre as massas, se esquece que com o advento da palavra escrita em massa tais meios de coerção simplesmente assumiram formas bem mais massivas e onipresentes hoje em dia.
Quem não conhece o poder da mídia hoje em dia não tem cabeça pra entender o que eu estou falando. As dimensões de tal poder e controle são muito maior que as antigas autoridades tradicionais, como reis e papas, jamais poderiam sonhar em exercer em tempos passados.
Mas retornando ao ponto principal, a transmissão oral - longe de ser uma forma de controle e coerção - era também uma forma de docência que garantia a cadeia ininterrupta, fiel e própria de transmissão de dados, incluindo dados espirituais.
Por isso mesmo a vivência junto do Mestre, da autoridade religiosa, e seguir seus preceitos e ensinamentos constitui um feito tão importante quanto possuir e ter noção dos escritos canônicas de uma dita, uhmmm, "forma tradicional" no sentido guenonete da palavra.
A vivência da espiritualidade é tão ou mais importante que sua mera compreensão intelectual, em caixinhas armazenadas na mente, senão bem mais importante. E essa vivência que proporciona, em si, a transmissão oral daquilo que não está escrito ou que não pode - pelo seu caráter velado ou simplesmente prático, operacional, supra-racional, etc... - ser reduzido a uma exposição simplificada em um meio escrito qualquer.
Assim, os academicistas que se dignam a estudar religião comparada ou que passam horas lendo tomos sobre essa ou tal religião devem ter em mente que o processo de compreensão - por inteiro - envolve mais do que a plena aquisição intelectual de certos conceitos e sim a devida intelectualização destes por meio de sua vivência junto a quem sabe e/ou quem também pratica.
A erudição balofa, ou mesmo aquela erudição de passatempo que busca coletar e agregar toda uma variedade de dados de tudo enquanto que ignora os pontos sutis e essenciais do que falo, no final das contas, não leva à nada e o seu resultado é a esterilidade espiritual típica das cátedras de sábios deste mundo.
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