Em princípio,
devemos obter atenção especial para o erro dos historiadores da
Ciência que reduzem a alquimia a uma mera química em estágio
infantil e mitológico. Contra esta noção, devemos recordar as
exortações explícitas dos autores herméticos mais citados, para
que as pessoas que os leem não se enganem interpretando-os
literalmente, pois suas palavras são tiradas de uma língua secreta
expressa via símbolos e alegorias.
Estes mesmos autores
repetiram exaustivamente, que o objeto da nossa precisa arte é
oculto, que as operações aos quais aludimos não são feitas
manualmente, que seus elementos são invisíveis, e não aqueles que
o vulgo reconhece. Os mesmos autores dirigem-se com desdém aos
“queimadores de carvão” e afins, cuja atividade “arruinou a
ciência”, e cujas manipulações não oferecem “nada além de
fumaça”, e os ingênuos que se devotaram à gama de experimentos
equívocos atribuídos pelos modernos como parte inseparável da
ciência hermética.
Os alquimistas que
verdadeiramente dominavam a sua arte sempre impuseram condições
éticas e espirituais para suas operações. Tendo em vista seu senso
vital de natureza, seu mundo ideal é apresentado como sendo
fundamentalmente inseparável daquele outro ao qual podemos denominar
de “Gnosticismo, Neoplatonismo, Cabalá, Teurgia” - tudo menos
“química”.
Da mesma forma, com
um grande número de fórmulas expressas sutilmente, lhe deram a
entender que aqueles que leem entre as linhas, por exemplo, que o
enxofre alquímico na verdade representa a vontade (segundo Basílio
Valentino e o padre Pernety), que a fumaça denota a “alma,
separada do corpo” (Geber), que a virilidade constitui o mistério
do “arsênico” (Zosimos), e que desta forma podemos citar uma
miríada de textos e autores diferentes. É assim que podem declarar
os Filhos de Hermes que todos dizem a mesma coisa e repetir,
orgulhosamente, “quod ubique, quod ab omnibus, et quod ab
semper.”
Jacob Boehme nos
atesta o axioma sobre o qual este conhecimento único se assenta. Ele
consiste na dita tradição que reivindica a si mesma a
universalidade e primordialidade fundamentais: “Entre o nascimento
eterno, a Restauração da Queda e a descoberta da Pedra Filosófica,
não há quase nenhuma diferença.”
Julius Evola: A TRADIÇÃO HERMÉTICA (Introdução)
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